• Ana Paula Brasil

Coragem: aja com o seu coração! ♡



Você já ouviu falar que coragem significa agir com o coração?! Sei que neste momento, em que recebemos tantos estímulos sensoriais e lidamos com uma intensa demanda mental, parar para ouvir os batimentos cardíacos já parece papo zen, quem dirá compreender o que seria agir com o coração. Embora "ouvir o coração" possa não ser, na prática, uma saída clara para a maioria de nós, não me parece uma romântica coincidência que justo o coração, que costumamos referenciar como a morada do amor, nos aponte o caminho da coragem, ou seja, o caminho para atravessarmos os nossos medos.


Para começar esta conversa de maneira simples, penso que o primeiro passo para agirmos com o coração é observarmos o nosso coração enquanto agimos. Como um músculo involuntário, o nosso coração costuma ser muito preciso tanto para atender as demandas físicas do nosso corpo, quanto para reagir aos processos mentais que elaboramos, ainda que inconscientemente. A observação das reações físicas do coração amplia a nossa percepção sobre como cada pensamento, atividade e escolha que fazemos diariamente reverberam profundamente em nós. Compreender os efeitos sensoriais dos nossos pensamentos, palavras e ações é um passo importante para garantirmos saúde, bem-estar e alinharmos nosso comportamento e valores aos nossos anseios mais profundos. O exercício é se observar! Quando você recebe uma notícia, toma um susto, vê uma cena forte, imediatamente há uma reação: seu coração pode "parar", "acelerar", "apertar", "vibrar" de modo diferente. A gente pode sentir facilmente estas nuances quando encontramos uma nova paixão, quando recebemos uma boa notícia, quando estamos ao lado das pessoas que amamos.

No entanto, mesmo sem nada de novo no ar, todo o tempo o nosso corpo e os nossos batimentos cardíacos estão dando sinais de como estamos experimentando as situações ao longo do dia. Você pode estar no trabalho, lendo uma mensagem, pensando em algo que aconteceu, tendo uma conversa difícil ou vendo uma notícia assustadora na TV, sabiamente o seu corpo te falará se isto está te fazendo bem ou não. Ouvir e compreender estes sinais nos possibilitará agir de forma mais consciente em busca do nosso equilíbrio e bem-estar. Basta observar e se perguntar: "Como eu estou me sentindo agora?".


Saiba que, às vezes, é preciso dar um certo tempo para a resposta surgir, para identificarmos as nossas emoções. Esta resposta nem sempre precisa ser verbalizada, basta ser compreendida. E, tome cuidado para não transformar as suas emoções em justificativas para fazer ou não fazer algo: trata-se de perceber o seu estado interno e trabalhar para equilibrá-lo, mesmo que você precise realizar uma tarefa ou atravessar uma situação desagradável. Claro que, algumas vezes, as repostas podem apontar a necessidade de uma mudança externa, mas toda mudança começa de dentro para fora, pelo seu modo de lidar - física, mental e emocionalmente - com as circunstâncias favoráveis ou desfavoráveis.


E em momentos de confusão e incertezas, que não sabemos como agir, o que o coração tem a nos revelar?!


É bem aí que a palavra coragem vai encontrar o seu sentido mais amplo. Nestes momentos, o coração pode ser o nosso maior guia e, acessando a sabedoria dele, podemos dissipar os nossos medos. Para as filosofias existenciais indianas, o apego é uma das principais fontes do sofrimento humano. É do apego que derivam os nossos medos mais profundos. Ele é a raiz das sensações desagradáveis, da luta desenfreada por segurança e do nosso desejo de manter as circunstâncias da vida sempre ao nosso favor. O medo também é considerado o sentimento contrário ao amor. É ele que, em decorrência do apego, nos confunde, nos impede de nos entregar incondicionalmente e de agir com renúncia.


Também para a filosofia do Yoga, o Anahata, chakra do coração ou plexo cardíaco, é a morada de jivatma, a nossa alma individual, que não só guarda toda a sabedoria da nossa existência como nos orienta na redescoberta da nossa verdadeira essência e na realização do nosso propósito espiritual e material.


O amor dissipa o medo: onde há amor, há capacidade de renúncia. O seu coração sempre lhe impulsionará pelo caminho do amor, ainda que pareça o caminho mais longo, difícil ou arriscado. É preciso parar, acalmar a mente, aquietar as emoções para ouvi-lo, sem interferência. Ainda que não pareça o caminho mais lógico, os impulsos do coração não deixam dúvidas e despertam a nossa coragem. No fundo, agir com o coração é fazer a única escolha possível, renunciando os resultados e aceitando as possíveis perdas, que cada escolha poderá gerar, pela fé e pelo desejo verdadeiro de estar em conexão com a sua essência e seguir o seu caminho evolutivo.



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